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| Relevância clínica de pesadelos em pacientes com transtorno depressivo |
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Sarah Laxhmi Chellappa1
John Fontenele Araújo2 |
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Médica e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 2 Médico e professor adjunto do Departamento de Fisiologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFRN. Endereço para correspondência: Endereço para correspondência: Sarah Laxhmi Chellappa. Avenida Campos Sales, 414, ap. 700, Petrópolis – 59012-300 – Natal, RN. Fone: (84) 3201-1545. E-mail: sarahlc@ig.com.br |
| Resumo |
Introdução: Diversos estudos sugerem uma estreita relação entre pesadelos e o transtorno depressivo. O objetivo deste estudo foi detectar a prevalência de pesadelos em pacientes com transtorno depressivo e observar sua relação com idade, sexo, tempo de doença, gravidade do quadro depressivo e ideação suicida. Métodos: Sessenta pacientes foram entrevistados e avaliados por meio da escala de depressão de Beck (EDB) e da escala de ideação suicida de Beck (EIS). Os pesadelos foram avaliados segundo os critérios da DSM-IV para transtorno de pesadelos. A análise dos dados foi realizada mediante a análise descritiva e o teste-t de Student, com nível de significância de 5%. Resultados: Nesta amostra, houve prevalência de 60% de pesadelos nos pacientes, com predominância entre mulheres. Os pacientes deprimidos com pesadelos apresentaram significativamente (p < 0,05) maior tempo de doença depressiva, média de pontuações mais elevadas nas duas escalas e nos itens sobre sensação de fracasso, alterações de sono e ideação suicida da EDB. Discussão: Na amostra de pacientes deprimidos estudada, a presença de pesadelos foi relacionada com a gravidade do quadro depressivo e a presença de ideação suicida clinicamente marcante. Assim, os pesadelos devem ser considerados na avaliação de pacientes com transtorno depressivo. Palavras-chave: Pesadelos, distúrbios do sono, transtornos depressivos, ideação suicida. |
| Abstract |
Introduction: Several studies have suggested a strong association between nightmares and depressive disorder. The aim of this study was to detect the prevalence of nightmares among patients with depressive disorders and to observe its relationship with age, sex, duration of disease, severity of depression and suicidal ideation. Methods: Sixty patients were interviewed and assessed by means of the Beck Depression Inventory (BDI) and the Beck Scale for Suicidal Ideation (SSI). Nightmares were assessed according to the DSM-IV criteria for Nightmare Disorder. Data analyses were performed by Descriptive analyses and Students t-test with statistical significance at p<0.05. Results: Prevalence of 60% of nightmares was encountered among patients, with predominance among women. Depressed patients with nightmares had significantly (p < 0.05) longer duration of depressive disease, higher mean scores in both scales and in the items related to failure, sleep disturbances and suicidal ideation of the BDI. Discussion: In the study sample, nightmares were associated with the severity of depression and clinically significant suicidal ideation. Thus, nightmares should be considered in the evaluation of patients with depressive disorder. Key-words: Nightmares, sleep disorders, depressive disorders, suicidal ideation. |
| Introdução |
Pesadelos são descritos como sonhos assustadores, com orientação e alerta imediatos ao despertar, envolvimento de ameaça à sobrevivência ou à segurança, e resultando no despertar abrupto durante o sono (DSM-IV, 1994). A ocorrência dos pesadelos é observada notadamente no sono REM (rapid eye movement), com a apresentação de sonhos vívidos, visualmente marcantes (Schredl et al., 2003), e a lembrança dos eventos ocorridos nos sonhos. Em indivíduos que apresentam maior freqüência de pesadelos, há estresse psicológico e com impactos social, ocupacional e clínico (Blagrove et al., 2004). |
| Método |
Casuística
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| Resultados |
Sessenta pacientes foram entrevistados (38 mulheres e 22 homens), dos quais 36 pacientes apresentaram pesadelos (60%, sendo 24 mulheres e 12 homens) e 24 não apresentaram pesadelos (40%, sendo 14 mulheres e 10 homens). A média de idade dos pacientes foi de 39,80±12,24 anos. Em relação ao nível educacional, 48 (80%) tinham ensino fundamental, 10 (16,7%) ensino médio e 2 (3,3%) ensino universitário. |
| Discussão |
Neste estudo, mais da metade dos pacientes (60%) referiram pesadelos freqüentes, em que as mulheres corresponderam a maior parcela. Todavia, a predominância de mulheres com pesadelos não está adequadamente esclarecida. Alguns estudos epidemiológicos sugerem forte associação entre a manifestação de pesadelos em mulheres com transtornos de ansiedade e/ou depressão, sem haver, entretanto, uma explicação teórica que sustente tal prerrogativa (Ohayon et al., 1996). Devido à natureza não controlada deste estudo e ao pequeno número de pacientes em cada subgrupo, não é possível explicar em definitivo a maior freqüência de pesadelos nas mulheres. Uma possível justificativa é de que a maior freqüência está associada à maior gravidade da depressão observada nas mulheres da amostra. |
| Referências |
Agargun, M.Y.; Kara, H.; Solmaz, M. - Sleep disturbances and suicidal behaviour in patients with major depression. J Clin Psychiatry 58: 249-251, 1997. |
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Órgão Oficial do Departamento
e Instituto de Psiquiatria
Faculdade de Medicina - Universidade
de São Paulo