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As patologias
envolvidas com a dor escrotal aguda acometem desde crianças até
adultos jovens, apresentando como características a presença
de dor, edema e massa escrotal. Este quadro clínico deve ser considerado
uma potencial emergência cirúrgica por apresentar grande
risco de infarto testicular com conseqüente perda de função
que pode se desenvolver em algumas horas.
Dessa forma é imperioso fazer um diagnóstico preciso dentre
os possíveis diagnósticos diferenciais envolvidos nessa
patologia, que incluem torção testicular, orquiepididimite,
torção de apêndices testiculares, trauma escrotal,
edema escrotal idiopático agudo, dor escrotal aguda associada à
púrpura de Henoch-Schönlein e hérnia inguinal indireta.
Destas, as mais freqüentes e as que apresentam condutas mais divergentes
são as duas primeiras; mas são as que mais apresentam dificuldades
no diagnóstico diferencial e, assim, sobre estas patologias é
que recai a importância prática nos casos de emergência.
Na prática clínica, em casos de dor escrotal aguda, há
grandes dificuldades para se determinar a etiologia desta patologia baseando-se
exclusivamente na anamnese e exame físico, mesmo quando estes são
realizados de maneira criteriosa e adequada, pois em todas as suas possíveis
causas há sinais e sintomas em comum, sendo que não há
nenhum dado patognomônico que possa orientar o diagnóstico.
Por causa dessa dificuldade é necessário o uso de algum
método diagnóstico por imagem que oriente de maneira mais
precisa o diagnóstico. Assim, tem-se dois possíveis métodos
que possuem especificidades e sensibilidades semelhantes e próximas
a 100%: a cintilografia escrotal e o ultra-som Doppler colorido. Destes
dois, devido à praticidade, rapidez e disponibilidade em serviços
de emergência, o ultra-som Doppler colorido é o exame de
escolha
As principais características clínicas e ultra-sonográficas
das possíveis patologias que podem estar presentes na dor escrotal
aguda são:
Torção de cordão espermático: tem-se
maior incidência no intervalo que se estende da infância até
os primeiros estágios da puberdade. A dor geralmente se inicia
de forma súbita, à noite, acordando o paciente, sem que
haja algum comemorativo evidente notado pelos pais associado ao início
do quadro álgico. Compõem, ainda o quadro clínico
náuseas e vômitos, com edema escrotal, massa palpável
e amolecida (principalmente em pólo superior do testículo
acometido), ausência de reflexo cremastérico, testículo
horizontalizado e a dor pode piorar ou não se alterar com a elevação
manual do testículo acometido. Este é o acometimento mais
comum na dor escrotal aguda, e ocorre por causa de um defeito na fixação
normal do testículo à túnica vaginal. A conduta neste
caso é eminentemente cirúrgica, com correção
da torção do cordão espermático, o que propicia
restabelecimento imediato de fluxo arterial ao testículo em sofrimento,
seguido de fixação testicular na bolsa escrotal, evitando-se
reincidência do caso.
Modo B: Nas primeiras horas é normal. Entre 4 e 6 horas o testículo
fica aumentado e hipoecogênico devido ao edema. Depois de 24 horas
torna-se heterogêneo refletindo a congestão vascular associada
a hemorragia e áreas de infarto. O epidídimo pode estar
aumentado e hipoecogênico. Outros achados são hidrocele reativa
e espessamento da parede escrotal. Se não removido o testículo
infartado evolui com redução volumétrica e hipoecogenicidade.
Doppler: Fica alterado precocemente. Usa-se o testículo assintomático
como controle. A ausência de fluxo do lado afetado associado à
presença de fluxo no testículo contralateral faz o diagnóstico
de torção. Em torções incompletas (< 360
graus) o fluxo é detectado, mas diminuído em relação
ao lado assintomático. Nas fases mais tardias nota-se um aumento
do fluxo peritesticular devido à resposta inflamatória nas
partes moles.
Orquiepididimite: pode ser de origem viral ou bacteriana. Para
ambos os casos, a dor se desenvolve de forma subaguda, acompanhada de
edema e eritema escrotal, massa palpável amolecida, podendo também
ocorrer febre, disúria e polaciúria.
A mais comum é a de origem viral, sendo que a maioria é
por caxumba, que é mais freqüente durante a infância.
As uroculturas serão negativas. O tratamento será de suporte
à dor e alívio dos demais sintomas correlacionados.
Se for de origem bacteriana, a infecção ocorre por via uretral
retrógrada, passando pelo deferente até chegar no epidídimo
e/ou testículo. Na maioria das vezes tem-se epididimite isolada,
mas a associação com orquite não é rara. Os
principais agentes são a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae,
e o acometimento ocorre com maior freqüência entre o final
da adolescência e adultos jovens que já iniciaram vida sexual,
quando se tem maior chance de infecções sexualmente transmissíveis.
As uroculturas podem ser positivas. O tratamento será com antibióticos
adequados à bactéria causadora da infecção.
Modo B: O epidídimo mostra-se aumentado, hipoecogênico ou
hiperecogênico, há espessamento da parede escrotal e hidrocele,
que pode apresentar-se anecóica e ocasionalmente com septos e debris.
O testículo aparece aumentado , hipoecogênico e heterogêneo.
Doppler: O testículo e o epidídimo envolvidos terão
hiperemia e diminuição da resistência que causa alto
fluxo diastólico, fluxo venoso detectável e índices
resistivos menores que 0,7 nas artérias do epidídimo e menor
que 0,5 nas artérias do testículo.
A infecção causada pela orquiepididimite pode evoluir para
abscesso, com potencial piora do quadro clínico. Nestes casos,
podemos ter:
Modo B: Presença de massa hipoecogênica com reforço
acústico posterior e testículo aumentado, imagens focais
hiperecogênicas representam a presença de bolhas de gás.
Doppler: Mostra aumento do fluxo ao redor da área hipoecogênica
e ausência de vasos em seu interior.
Torção de apêndice testicular: da mesma forma
que na orquiepididimite, a dor também se desenvolve de forma subaguda,
associada a edema e massa amolecida palpável; porém, é
mais evidente em pólo superior do testículo. A estrutura
que mais comumente sofre torção é o resquício
do ducto de Müller presente no sexo masculino. A conduta, assim como
na torção de cordão espermático, também
é cirúrgica.
Modo B: geralmente os apêndices testiculares não são
vistos à ultra-sonografia. Entretanto, pode-se ver pequena massa
hipoecogênica ou hiperecogênica adjacente ao testículo
acometido ou ao seu epidídimo.
Doppler: Mostra aumento do fluxo sangüíneo, que se forma devido
à inflamação causada pela torção dos
apêndices, ao redor dos apêndices testiculares torcidos. O
tecido peritesticular também pode apresentar aumento de fluxo.
O fluxo testicular nestes casos é normal.
Dor escrotal associada à Púrpura de Henoch-Schönlein:
faz parte da síndrome que consiste em púrpura não
trombocitopênica, artralgia, insuficiência renal, dor abdominal
e sangramento gastrointestinal. A conduta consiste em controle clínico
da doença e medidas de suporte.
Modo B: Testículo é normal, o epidídimo aumentado
bilateral e apresentando ecotextura heterogênea, há também
hidrocele e edema da parede escrotal.
Doppler: Mostra aumento de fluxo no epidídimo e fluxo testicular
normal.
Hérnia inguinal indireta: causa compressão das estruturas
vasculares. Acomete principalmente crianças e a conduta é
a correção cirúrgica da hérnia.
Modo B: Presença de alça intestinal com conteúdo
líquido ou gasoso, na presença do testículo e do
epidídimo normais. A peristalse indica a viabilidade da alça,
a ausência de peristalse supõe alterações isquêmicas.
Uma massa ecogênica complexa indica a herniação do
omento.
Doppler: Hiperemia dos tecidos moles escrotais pode indicar o encarceramento
da hérnia.
Trauma
escrotal: o quadro clínico neste caso depende do agente relacionado
ao trauma, da intensidade de energia envolvida com o trauma e das estruturas
lesadas; podendo, assim apresentar quadros clínicos e condutas
variados, tais como hematoma, hematocele, fraturas, rupturas e lesões
complexas. Portanto, a conduta vai depender de cada caso, podendo ser
desde cirurgias até a simples administração de analgésicos.
Sempre se deve ficar atento ao desenvolvimento de complicações
tardias ao trauma, como algum rompimento ou edema evolutivo não
identificado ou não presente à primeira análise do
paciente.
· Hematoma:
Modo B: No sangramento agudo é hiperecogênico em relação
ao parênquima do testículo, com a formação
do coágulo fica complexo e passa a conter áreas hipo e hiperecogênicas.
O espessamento da parede escrotal é um achado comum.
Doppler: Não mostra vasos no local do hematoma.
· Hematocele
Modo B: São coleções de fluído que separam
as camadas da túnica vaginal. Se agudas são usualmente ecogênicas,
se mais antigas ficam hipoecogênicas e septadas. Grandes hematoceles
dificultam a visibilização do testículo, por alterar
sua posição.
Doppler: Mostra os vasos do testículo, localizando-o e diferenciando-o
das hematoceles e dos hematomas complexos.
· Fratura
Modo B: Apresenta uma banda hipoecogênica e linear que atravessa
o parênquima do testículo, que por sua vez permanece com
os contornos regulares e bem definidos, a túnica albugínea
fica intacta.
Doppler: Pode localizar áreas de ausência de fluxo (isquemia),
que indicam uma intervenção cirúrgica.
· Ruptura
Modo B: Interrupção da linha hiperecogênica da túnica
albugínea, as bordas do testículo ficam irregulares e mal
definidas, a parede escrotal fica espessada e nota-se, em geral, grande
hematocele.
Doppler: Não mostra sinais de fluxo.
Edema escrotal idiopático agudo: é entidade rara
caracterizada por dor associada a edema testicular sem haver amolecimento
correspondente significante e com uroculturas negativas. O tratamento
deve ser baseado em medidas de suporte à dor e outros sintomas
associados.
Modo B: Espessamento dos tecidos moles com testículo e epidídimo
normais.
Doppler: Mostra aumento de fluxo na parede escrotal e fluxo normal no
testículo.
Gangrena de Fournier
Modo B: O escroto e os tecidos moles ficam espessados e heterogêneos,
com áreas hipo e hiperecogênicas que refletem o edema e a
formação de gases. O testículo e o epidídimo
são normais.
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