Janeiro, 2007
Cada vez mais, o mundo está despertando para a necessidade de se construir
uma sociedade inclusiva, em que as pessoas com deficiência sejam reconhecidas
como cidadãs comuns, iguais em direitos e deveres. Para que a inclusão
social se efetive, um processo integrado de reabilitação é
oferecido pela Estação Especial da Lapa, que presta cerca de 20
mil atendimentos gratuitos mensais a pessoas com deficiência, ampliando
as oportunidades de capacitação profissional e geração
de renda. Pela valorização da potencialidade, desenvolve consistente
trabalho de promoção da cidadania, participação e
protagonismo das pessoas com deficiência na sociedade.
Por meio do
convênio com o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo,
ligado ao Governo do Estado de São Paulo, a direção técnica
e administrativa da Estação Especial da Lapa é de responsabilidade
da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - DMR HC FMUSP. São
oferecidos cursos de iniciação em manutenção e reparo
predial (elétrica, hidráulica e pintura), panificação
e confeitaria, reparo e confecção de calçados (arte em couro),
tapeçaria de móveis, tricô à maquina, costura, informática
(com recurso do software virtual vision, para quem possui deficiência
visual), serviços administrativos e telemarketing, além de Língua
Brasileira de Sinais (Libras).
São oferecidas, ainda, 30 modalidades
diferentes de oficinas culturais, com enfoque ocupacional e de lazer, entre as
quais: cerâmica, desenho e pintura, reciclagem, encadernação,
origami (dobradura de papel), marcenaria, artes têxteis (tear manual e bordados),
adornos, acessórios e objetos de madeira. Há também as atividades
esportivas adaptadas, como atletismo, condicionamento físico, ginástica
rítmica desportiva, basquete, caminhada, futsal, judô e vôlei.
Setenta
por cento do espaço oferecido pela Estação Especial da Lapa
são destinados às pessoas com deficiência e 30% é para
a comunidade em geral, também sem deficiência. Têm acesso todas
as pessoas com faixa etária acima de 14 anos, inclusive terceira idade.
Entre
os benefícios resultantes da ampla programação estão
a possibilidade de desenvolvimento de uma rede de relacionamentos e a descoberta
de novas experiências. Em pouco tempo os usuários da Estação
Especial da Lapa percebem uma substancial elevação na auto-estima
e na qualidade de vida, fatores que promovem a inclusão social.
Se para as pessoas
com deficiência, usuárias da Estação Especial da Lapa,
os ganhos são significativos, para os instrutores responsáveis pelos
cursos e atividades a inclusão social é o objetivo principal. Silvio
Nunes Augusto, na Estação há cerca de dez anos, é
instrutor de Manutenção e Reparo Predial para as pessoas com deficiência
e comunidade em geral. Ele se surpreende com a capacidade de cada aluno e a força
de vontade que resulta, inclusive, em profissionais preparados para monitorar
serviços executados por terceiros.
Para o instrutor de Esporte Adaptado,
Benielte Moreira, a evolução no condicionamento físico e
na qualidade de vida é evidente. Segundo ele, a performance competitiva
não é o objetivo e sim a inclusão social. A professora de
oficina terapêutica, Marlene Mitsuko Ueda destaca que faz um trabalho direcionado
para cada pessoa com deficiência, utilizando técnicas diferenciadas
de acordo com a capacidade de cada participante. Na utilização de
materiais como cerâmica, argila, sementes e papéis, entre outros,
descobre a potencialidade de cada um. A dinâmica resulta em elevação
da saúde, qualidade de vida e da auto-estima.
Ana Paula da Cruz Pires, 24 anos, tem
espinha bífida (mielomeningocele) desde o nascimento. É formada
em Direito e utiliza muletas para andar. Está na Estação
Especial da Lapa há 3 anos, indicada por uma amiga da mãe, cujo
filho cego também é atendido lá. Ela revela que, antes, era
muito introvertida, reservada, o que poderia ser um problema em sua profissão.
Foi fazer dança, para se soltar, mas decidiu participar da oficina de Teatro.
Achei muito bacana. Hoje estou mais desenvolta. Foi mesmo muito positivo,
destaca.
De fato, o sorriso estampado no rosto e o jeito extrovertido não
lembram nada a menina retraída que conta ter sido um dia. O que me
impressionou mesmo foi a receptividade com que me receberam. Todos são
super carinhosos, pacientes e cuidadosos com as pessoas com deficiência.
Nos tratam como iguais e não como diferentes, observa. Um outro benefício
ressaltado por Ana Paula foi o aprendizado da solidariedade, pois, segundo conta,
antes era mais na dela e a oportunidade de contato com outras pessoas
com deficiência fez com descobrisse esse seu outro lado mais solidário.
Adilson
de Souza Silva, 24 anos, é paraplégico há seis anos, em função
de lesão medular decorrente de ferimento com arma de fogo (bala perdida).
Tinha, então, 18 anos e passou a ser usuário de cadeira de rodas.
Antes do acidente considerava-se bastante agressivo, nervoso, estourado.
Após o acidente, o que mais o tirava do sério era a discriminação
com que era tratado em algumas ocasiões. Eu via muito preconceito
e ficava muito nervoso com isso. Há um ano ele freqüenta diariamente
a Estação Especial da Lapa para o curso de Informática. Primeiro
fez o Básico e agora está fazendo o de Montagem e Desmontagem de
Computadores (hardware).
Cheguei a me surpreender. Não queria
fazer o curso, porque não queria passar mais uma vez o nervoso que passei
em outros lugares, sendo tratado como coitadinho. Na Estação me
tratam normalmente, sem preconceito, me fez sentir mais capaz. Minha limitação
é só nas pernas e quero ser respeitado. E é isso o que encontro
aqui na Estação, afirma.
Adilson acrescenta que outra
coisa que o irrita é a falta de acessibilidade na maioria dos lugares aonde
vai, dificuldade não encontrada na Estação. Para o futuro,
faz planos de montar uma lan house, essas casas de jogos por computador.
Acredita que será fácil, pois é o que está aprendendo:
montar computadores.
Outro usuário, Pedro Francisco Peixoto Aveline
Filho, 44 anos, declara-se com deficiência mental e também valoriza
a oportunidade de freqüentar a Estação Especial da Lapa. Em
três vezes por semana, durante toda a manhã, pratica atletismo, há
quatro anos. Me sinto muito bem. Gosto de esporte. Ano que vem quero praticar
também natação e hidroginástica. Entre algumas
mudanças em sua vida, destaca que sua saúde melhorou muito, está
mais animado.
Todas
as atividades e cursos da Estação Especial da Lapa são gratuitos.
Está localizada em São Paulo (SP), zona Oeste, no bairro da Lapa:
rua Guaicurus, 1.274. O telefone para inscrições e mais informações
é: (11) 3873-6760 ramal 224 (Secretaria de Cursos).
Informações
para a Imprensa: Maria Isabel da Silva - Jornalista DMR HC FMUSP (11)
5549.0111 ramal 221 e 9212.1682 www.hcnet.usp.br/haux/dmr bel_jornalista@yahoo.com.br isabel.dmr@hcnet.usp.br
Publicação
autorizada. Favor atribuir o crédito a DMR HC FMUSP. Agradeço
a divulgação e informação para isabel.dmr@hcnet.usp.br. |