HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

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Pesquisadora do IPq recebe prêmio internacional em genética da esquizofrenia

 

Release publicado em 2005

Utilizando pela primeira vez no estudo da esquizofrenia a técnica de biologia molecular denominada SAGE (Serial Analysis of Gene Expression), a pesquisadora Elida Benquique Ojopi, com apoio da equipe do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria - IPq - do HCFMUSP, coordenado pelo Prof. Wagner Gattaz, pôde avaliar virtualmente todos os genes ativos nos cérebros de indivíduos afetados pela doença, identificando aqueles que apresentavam expressão* diferencial e que não haviam sido estudados nessa patologia.

Esse trabalho foi apresentado durante o "International Congress on Schizophrenia Research", ocorrido no início de abril 2005 em Savannah, GA, USA, e rendeu à pesquisadora o prêmio Young Investigator Award, sendo ela a única representante do Hemisfério Sul a ser agraciada.

Sobre o estudo - A hipótese do grupo é que alguns genes podem estar "ligados" ou "desligados" de forma errada, levando assim à esquizofrenia. O que causa esse "ligar/desligar" alterado ainda não é conhecido, porém, é fundamental aprofundar o conhecimento desses genes, que poderão ser alvo de um tratamento mais específico para a doença. Sabendo-se, por exemplo, que os pacientes têm deficiência de determinada substância, pode-se aplicar um tratamento mais preciso e com menos efeitos colaterais.

A Esquizofrenia é uma doença complexa causada provavelmente por uma conjunção de fatores ambientais e genéticos. É provável que os genes que modificam a dinâmica do sistema nervoso central, causando a doença, atuem durante diversos estágios do desenvolvimento cerebral, modificando outros genes, em uma cascata de efeitos. Os componentes genéticos envolvidos provavelmente fazem parte de uma série de alterações em genes de ‘menor efeito’, sendo mais adequadamente estudados coletivamente através de estudos em larga escala.
Devido a grande dificuldade na obtenção de material biológico adequado para avaliar a expressão gênica, as abordagens genéticas atuais para estudar os genes envolvidos em esquizofrenia são quase em sua totalidade baseados em estudos de associação usando polimorfismos de DNA.

O grupo do LIM 27 produziu até o momento quase 100.000 SAGE tags a partir do córtex pré-frontal de pacientes com esquizofrenia e indivíduos-controle, possibilitando a análise de mais de 20.000 genes. 165 genes apresentaram expressão diferencial quando comparamos as duas amostras, sendo que 46 deles apresentaram uma expressão maior nos cérebros dos pacientes com esquizofrenia, enquanto os demais 119 genes apresentaram uma expressão maior no cérebro de indivíduos-controle.

Após essa análise, os genes selecionados serão avaliados em amostras cerebrais individuais de pacientes com esquizofrenia para confirmação desses resultados por meio de PCR em tempo real, que é uma técnica mais sensível.

*expressão gênica: todas as nossas células têm o mesmo genoma ou DNA. O que torna uma célula um neurônio ou uma célula do fígado é quais genes são "ligados" e quais genes são "desligados", ou em outras palavras, quais genes são expressos por aquele tipo de célula e quais genes não estão expressos.

Contatos: elida@usp.br  - tel. (11) 3069 7283

Assessoria de Imprensa IPq
Julieta Magalhães - 3069 7801 - 9966 9427

 

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